ALTA RODA - Fernando Calmon

14/02/2013
Confirmado: Golf G7 chega em 2014


Decisão já esperada, a Volkswagen acaba de anunciar a produção no México da sétima geração do Golf, automóvel mais vendido na Europa e, somada sua configuração sedã Jetta, a família de modelos de maior venda no mundo, à frente das famílias Corolla e Focus. Está prevista sua importação ao Brasil a partir de 2014.
Este é mais um sinal da baixa competitividade de produção no Brasil, pois aqui o Golf estacionou na quarta geração. Porém, o México se fortaleceu por vários motivos. Além da moeda desvalorizada e baixos custos trabalhistas e de fabricação, tem a vantagem de se situar na zona de livre comércio da América do Norte, de onde importa autopeças produzidas em escala gigantesca e, portanto, a preços menores. O país também acertou acordos com a União Europeia e o Japão, além do Brasil/Mercosul. Não à toa, a Audi confirmou antes sua fábrica mexicana para 2016. De lá poderá exportar, sem impostos, para três grandes blocos econômicos.
Novo Golf é o segundo modelo da arquitetura MQB (sigla em alemão para Matriz Transversal Modular). A partir dela, o grupo Volkswagen vai desenvolver nada menos de 40 produtos, de compactos a médios-grandes e SUVs, de cinco marcas diferentes. O Brasil está na rota da MQB, que mostra flexibilidade de adaptação a linhas de montagem convencionais, segundo Ulrich Hackenberg, vice-presidente do grupo. Ele declinou de comentar quando e quais modelos, mas admitiu que, se o mercado continuar em crescimento e alcançar custos competitivos, o Golf também poderá ser feito aqui.
DACIA DEU EXEMPLO
Abre-se, entretanto, uma janela para fabricação de compactos de entrada, em que o país mostra ainda ser razoavelmente competitivo. Até pouco tempo, os grandes grupos automotivos tinham margens de ganho bem pequenas em carros desse tipo e, assim, pouco interesse em desenvolvê-los. Mas a Renault começou a mudar esse cenário ao lançar o Dacia Logan, de sua subsidiária da Romênia, em 2004. Atualmente, são seis derivações que utilizam uma arquitetura antiga e já amortizada, da própria Renault, voltada a oferecer bastante espaço a preço baixo. Real alternativa para quem só podia adquirir carros usados.
Não tardou a marca se expandir. Vendeu-se quase um milhão de unidades, em 2012, em 36 países, dois terços das quais com logotipo francês. A lucratividade está em torno de 9% por unidade, estimada pelo banco Morgan Stanley, muito acima das minguadas margens nos combalidos mercados maduros, em especial Europa. Claro, outros fabricantes estão de olho.
Primeira a anunciar um projeto de baixo custo foi a Nissan. Fará renascer a marca Datsun e utilizará plataforma Lada, marca russa que já esteve no Brasil, e hoje na aliança Renault-Nissan. Pretende produzir um carro por apenas 3.000 euros (cerca de R$ 8.000), fora impostos, vendê-los em mercados como Índia, Rússia e Indonésia e ainda ganhar dinheiro.
Agora, Volkswagen e Fiat anunciaram, quase ao mesmo tempo, estudos para esse promissor filão, igualmente com marcas novas. Ambas precisam ver que arquiteturas poderiam lançar mão e em que países a produção seria viável. Nada se sabe, ainda, sobre chances no Brasil, mesmo porque até o momento carros rústicos são pouco atraentes aqui. Mas oportunidades de exportação poderiam surgir e viabilizar a produção.



RODA VIVA
''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''

Ano começou bem com o melhor janeiro, em produção e vendas, da série histórica. O que ajudou foi o estoque formado em dezembro do ano passado: permitiu não repassar o primeiro dos três aumentos de IPI desse semestre. Ainda assim, ritmo de vendas diárias caiu e subiram os estoques totais de 24 dias (dezembro) para 29 dias (janeiro). Criaram-se 1.156 empregos novos.
Apesar do investimento de US$ 500 milhões para adaptar o Fiat 500 às regras de segurança dos EUA e mudanças nas linhas de montagem da Chrysler mexicana, seu sucessor, em 2015, deverá ser fabricado apenas na Polônia, onde o subcompacto chique começou em 2007. Vindo da Europa, ficará bem mais caro para o brasileiro, como era antes, em razão do imposto de importação de 35%.
Espaço interno (em relação às dimensões externas), motor de 1,35 l/108 cv e equipamentos de série são pontos vantajosos no subcompacto JAC J2, por R$ 32.000. Faltam coisas simples: destravamento das portas por botão central ou relógio que não obrigue desligar o rádio para saber a hora. Direção e suspensões precisam também melhorar.
Professor  da PUC Minas e advogado, Leonardo Vilela acredita que Lei Seca para motoristas ainda suscita dúvidas jurídicas. "Um dos problemas anteriores era exigência de grau alcoólico. Isso continua dúbio. O Superior Tribunal de Justiça, em 2011, decidiu que, se a lei prevê uma referência, não se pode presumir. Ou seja, tem que haver prova efetiva deste grau."
Logo depois do Carnaval, aumenta em 50% o número de motoristas que procuram o serviço de reparo de para-brisas, de acordo com a Carglass, empresa especializada. Além do maior fluxo de carros nas estradas, é necessário observar certa distância da traseira de caminhões, principalmente.



06/10/2011  -    
SEM DISTINÇÃO DE ORIGEM



Por Fernando Calmon
fernando@calmon.jor.br
Twitter: @fernandocalmon



Ainda não baixou toda a poeira do aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), mas já permite uma análise aprofundada. Claro, trata-se de medida protecionista que todos execram. Entretanto, isso é o que menos falta no mundo, hoje, por meio de barreiras válidas ou disfarçadas, especialmente após a crise financeira de 2008. Exemplos: no México, só podem importar as marcas que produzam lá ou mediante acordos comerciais (chineses e sul-coreanos ficam de fora); os que não fabricam na Argentina devem compensar a importação comprando produtos locais e exportando.

Há outros casos curiosos. Apesar do alto poder aquisitivo, na Coreia do Sul todos os importados, inclusive marcas premium, ocupam apenas 1% do mercado interno. Será que estrangeiros oferecem menor prazo de garantia? Na China, o programa subsidiado de veículos elétricos só é válido para os produzidos por chineses. Provavelmente, pela qualidade superior...

Isso posto, vem o IPI majorado em 30 pontos percentuais, na média aumento real da alíquota de 26,5%. Difícil derrubar essa medida na Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo alegaria que a nova alíquota é para todos, sem distinção de origem, seguida por normas de incentivos para fabricação local, como já ocorre com computadores e outros bens. Decisões da OMC são lentas e o IPI maior vale, inicialmente, até o final de 2012. Tempo curto demais para eventual disputa.

Emenda constitucional, de dezembro de 2003, de fato estabelece um mínimo de 90 dias para alterar um tributo. Alguns acham que a regra vale para impostos novos e que IPI existe desde os anos 1960. Juízes terão que decidir. Faz parte do cipoal legislativo típico do famigerado Custo Brasil.

Protecionismo, em princípio, prejudica consumidores. Porém, é bom lembrar que não se exige conteúdo local para produzir veículos no País, salvo os 60% dentro do Mercosul. O novo índice de nacionalização de 65% é mais rigoroso: desconta (agora) a carga fiscal, há processos produtivos regulados e gastos obrigatórios em pesquisas. Deixa alguma flexibilização por dispensar das exigências 20% da produção.

Também não dá para exagerar. Novas marcas que queiram construir fábricas aqui poderiam seguir uma escala crescente de uso de autopeças nacionais ou do Mercosul, iniciando em 30%. Parece óbvio que isso ocorrerá. Afinal, mesmo que a maior intenção de investimento desses entrantes signifique menos de 10% do que apenas um dos fabricantes estabelecidos já iniciou, o Brasil precisa de todos os empregos que possa gerar. Na longa cadeia industrial a geração de renda é superior ao setor comercial, no nosso estágio de desenvolvimento atual.

Ponderando prós e contras, inclusive a situação cambial que favorece importar e não fabricar localmente, toda essa confusão do IPI tende a ser neutra para o consumidor, em médio prazo, e favorável, em longo prazo, por atrair investimentos pesados e maior concorrência. De início, bônus e financiamentos subsidiados podem até diminuir. É ingenuidade, no entanto, achar que importadores repassarão toda essa carga fiscal, desistindo de um dos mercados mais atraentes do mundo, onde todos brigam por décimos de participação nas vendas.

RODA VIVA

DODGE Journey e Fiat Freemont continuarão a vir do México isentos de imposto de importação e do IPI majorado. Acordo bilateral tem sido muito favorável ao Brasil: exportamos mais de 1,5 milhão de unidades em dez anos e importamos nem um terço desse volume. March e novo Fiesta, hoje mexicanos, serão fabricados aqui, diminuindo importações.

SEDÃ compacto Chevrolet Cobalt não terá arquitetura baseada na do Corsa alemão e muito menos será a versão sedã do Agile. Por ora, a GM esconde essa informação, mas o carro foi desenvolvido em conjunto pelas filiais brasileira e sul-coreana (antes conhecida como GM Daewoo Auto & Technology). Modelo chega ainda esse ano, substituindo Astra e Corsa sedã atuais.

VERSÃO básica do Tiguan 2012 passa a custar R$ 110.000 com repasse parcial do novo IPI. Derivado do Golf, recebeu retoques na frente e traseira e, no interior, rádio com navegador. Assist Park II agora permite entrar e sair das vagas, inclusive as transversais, com mínima intervenção do motorista. Impressiona a nova tração 4x4 permanente, tanto no asfalto como na terra.

VENDER a ideia de um modelo comum voltado para a economia de combustível não é nada fácil. A Fiat faz isso agora com o motor de 1,4 litro do Uno Economy. Antes só aplicava o conceito a motores de 1 litro, como do próprio Uno. Pacote inclui transmissão, pneus, suspensões e gerenciamento do motor modificados para alcançar de 10% a 15% de economia.

BOSCH aumentará oferta de produtos de ponta produzidos no Brasil. Além do ABS de nona geração, ESP também entra no portfólio. São unidades mais compactas e leves, iguais às europeias, para ampliar segurança ativa nos automóveis. A empresa inicia atividades de energia solar, nacionalizando placas fotovoltaicas.



-----------------------------------------------------------------------------------------

29/09/2011  -   
NÃO É POUCA COISA 
Por Fernando Calmon
Twitter: @fernandocalmon


Os lançamentos não param esse ano em todos os segmentos. E haja fôlego para os jornalistas correrem atrás. Quem enfrentou o tranco, teve que viajar de Düsseldorf, Alemanha (Chevrolet Cruze) até San Diego, EUA (Nissan March) com apenas 10 dias de intervalo. Ou se contentar em avaliar os dois modelos por aqui mesmo.

Substituindo o Vectra, o produto da GM entrou na briga de uma renovação completa no subsegmento de sedãs médios-compactos, como nunca se viu. Dos franceses Renault Fluence e Peugeot 408, ao alemão VW Jetta e ao sul-coreano Kia Cerato. E há mais: Hyundai Elantra, em outubro, e Honda Civic, até dezembro.

Partindo de R$ 67.900 (LT) o Cruze está bem inserido entre os concorrentes quanto a itens de série: controle eletrônico de tração (TC) e de trajetória (ESC), rodas de alumínio de 17 pol e ar-condicionado digital que detecta poluição.

Versão de topo LTZ (R$ 78.900,00) oferece seis airbags, central de mídia de 7 pol com navegador, câmbio automático de seis marchas com seleção manual, entre outros. O fabricante subsidiou esse câmbio na versão de entrada, pois oferece a opção por apenas R$ 2.000,00.

Oferece um interior aconchegante e moderno, ajudado pelo acabamento em dois tons. Infelizmente perdeu o plástico de toque macio do painel do Vectra. Banco do motorista firma bem o corpo, mas o encosto se regula por alavanca. São bons o espaço atrás (2,685 m de entre-eixos) e porta-malas de 450 litros. O motor de 1.8 L, moderno e elástico, tem dois comandos variáveis, 16 válvulas, 144 cv e quase 19 kgf•m (etanol). Bem acertado de suspensões (convencionais), agrada ao dirigir. Alguns ruídos surgem na parte traseira em piso irregular e a costura do couro dos bancos deveria ser no capricho.

A Nissan desbravou, para as marcas japonesas, o segmento mais difícil e concorrido: compactos de motor de 1 litro. Até agora os nipônicos se encastelavam nos modelos de maior rentabilidade, arriscando pouco. O March apresenta estilo palatável (dentro de sua gama atual), bom espaço interno em especial para cabeças no banco traseiro, bom coeficiente aerodinâmico (Cx 0,33), câmbio de engates precisos e robusto motor Renault, 16v, de 74 cv. Consumo declarado com etanol (norma NBR 7024) é de 9,5 km/l (urbano) e 13,7 km/l (estrada), otimista demais, considerando que as duas primeiras marchas são bem curtas. Em estrada deve ir melhor, em consumo.

Porta-malas está na média dos concorrentes (265 litros). Pontos altos são visibilidade, direção assistida eletricamente e diâmetro de giro de apenas 9 m o que melhora a manobrabilidade. Preço de partida – R$ 27.790,00 – surpreende por entregar airbag duplo de série, mas sem direção assistida e calotas sujeitas a buracos pelo seu diâmetro. Sem opção de ABS, neste primeiro catálogo, a decisão pelo airbag parece puro marketing. Versão completa, R$ 33.390.  Com motor 1,6 L/111 cv, de origem Nissan, os preços vão de R$ 35.890 a R$ 39.990.

Sem dúvida, a Nissan tem um produto para incomodar quem já se estabeleceu no ramo há décadas. E sobre a mesma arquitetura do March lançará, já em novembro, o sedã Versa com entre-eixos maior e preço também competitivo. Não é pouca coisa.

RODA VIVA

DEMOROU a cair a ficha, mas fabricantes se convenceram de que preço fechado das revisões é ponto fundamental para competitividade. Daí o esforço da Nissan em oferecer preços razoáveis, no novo March. Nada de visita semestral à concessionária. Trocas de óleo, por exemplo, só a cada 12 meses ou 10.000 km. Até 60.000 km, gasto previsto total é de R$ 1.774,00.

CRUZE está indo muito bem no mercado americano, onde há inclusive versão Eco. Nesta, mudanças são as de praxe: diminuição de peso e altura, pneus de baixo atrito de rolagem e retoques aerodinâmicos. Surpreendentemente, 55% dos compradores pedem, na Eco, caixas de câmbio manuais para maior economia de combustível. Nos EUA, 90% usam câmbio automático.

MOTORES V6 flex das picapes e SUVs da Mitsubishi, produzidas em Catalão (GO), deverão ser os primeiros modelos a oferecer de série partida a frio elétrica, aposentando de vez o reservatório auxiliar de gasolina. Até agora apenas uma versão do Polo, a Bluemotion, com pacote de economia de combustível, mas de vendas simbólicas, utiliza esse sistema de partida.

ARTISTA plástico Adelson Carneiro quer colocar o Brasil no livro de recordes do Guinness, construindo a maior maquete de tema automobilístico com veículos (escala 1/32) em movimento. Interativa, ela terá sinais de trânsito, ambientes diurno e noturno, vento, trovoada, neblina e até chuva fina. Área será de 1.000 m², possivelmente montada na capital paulista.

PNEUS aquém da pressão recomendada, que aumentam o consumo de combustível, são um problema mundial. Bridgestone checou, em 38.000 automóveis de nove países europeus, e conclui que nada menos de 71% dos motoristas dirigiam com pressão baixa nos pneus. E mais: 12% dos inspecionados mostravam espessura de banda abaixo do limite legal de 1,6 mm.



--------------------------------------------------------------------------------------
22/09/2011  -   
PENSAMENTOS ALTERNATIVOS





Por Fernando Calmon
fernando@calmon.jor.br
Twitter: @fernandocalmon


O Salão do Automóvel de Frankfurt, o maior do mundo em área locada de exposição, inverteu o clima de pessimismo observado há dois anos em razão da crise financeira mundial. A feira estará aberta até este domingo, 25/9, e reflete um cenário de vendas mundiais de veículos em ascensão, embora no continente europeu os resultados não estejam bons, à exceção da Alemanha, o que ajudou a mostra.

Naturalmente, as marcas germânicas dominaram o ambiente. A começar pelo VW Up!, um subcompacto de quatro lugares, para disputar um segmento que crescerá muito. O modelo apresenta sofisticações, como frenagem automática e inteligente sistema multimídia portátil. Essa plataforma dará origem ao futuro carro de entrada da marca, substituindo o Gol IV, para cinco passageiros e com estilo próprio.

A Mercedes-Benz apresentou o novo Classe B, crossover de hatch e monovolume, com muitos equipamentos de série inclusive sistema anticolisão. Sua arquitetura flexível vai gerar um hatch (Classe A), um utilitário esporte (SUV) compacto, um sedã-cupê e uma station. Atenções se voltaram ao carro conceito F-125 (alusão aos 125 anos da empresa), um elétrico muito avançado que associa bateria de íon-enxofre e pilha a hidrogênio para até 1.000 km de autonomia.

A BMW mostrou o compacto Série 1, mais espaçoso, e consolidou sua submarca para propulsão alternativa. O i3 elétrico está praticamente pronto com muita fibra de carbono para aliviar o consumo da bateria, enquanto o híbrido esporte i8 ainda demora dois anos. A Audi respondeu com o carro-conceito A2 que terá também motor elétrico e o estudo Urban Concept ainda em estágio primário, mas o esportivo R8 e-Tron surgiu em forma quase definitiva.

Fechando a ofensiva alemã, a Porsche exibiu o novo 911, mais baixo e longo, projetado para receber propulsão híbrida. Versões conversíveis de supercarros também tiveram vez: Mercedes-Benz CLS (teto de lona) e Ferrari 458 Italia (teto rígido), atraindo fãs fiéis do puro glamour.

Impressionaram a semelhança visual entre o novo Fiat Panda e o Uno brasileiro, de plataformas diferentes, além da nova linguagem de estilo da Ford realçada no Evos. Citroën DS5 confirmou o desenho audacioso da marca; a Renault contra-atacou com o conceito do que poderá ser um Kangoo no futuro; Smart também antecipou a evolução estética do microcarro (além da terceira geração elétrica); Mini cupê ampliou de forma criativa o desenho que parecia único.

Entre os SUV de maior porte, a maior surpresa foi o Maserati Kubang (materialização de um conceito do Salão de Detroit/2003). A Land Rover antecipou em quatro anos as primeiras formas do que, tudo indica, será o sucessor do icônico Defender.

Apesar da ênfase sobre elétricos e híbridos em Frankfurt, já há mais gente pensando que motores a combustão ainda vão evoluir e surpreender em emissões. Na Europa, por exemplo, 75% dos motores de carros novos utilizam turbocompressores (Classe B e A1, 100%). Como gerar eletricidade também emite gás carbônico (CO2), à exceção de usinas atômicas, podem acontecer surpresas e adiar para além de 2030 as chances de mínima consolidação do mercado de veículos elétricos a bateria.

RODA VIVA

AUMENTO significativo do IPI atingirá indistintamente todos os modelos não produzidos no Mercosul e México, mesmo que o fabricante já possua instalações industriais no Brasil. No fundo, o governo federal sabe que essa discriminação de imposto segundo a origem do produto contraria a Constituição. Resolveu correr o risco, em defesa do emprego industrial.

MAIS estranho é a taxação extra sobre importados vigorar até dezembro de 2012, embora a política de aumento da competitividade vá até 2016. Fica a dúvida se a medida pode ser revista ou a exigência de conteúdo de peças nacionais abrandada para quem quer fabricar no País. Casos da Chery e JAC, além da BMW que extraoficialmente já decidiu, mas pode desistir.

MERCEDES-BENZ SLS AMG roadster oferece rara combinação entre raízes históricas, estilo atual e desempenho ímpar. Inspirado no venerável 300 SL, de 1954, e suas portas no estilo de asas de gaivota na versão cupê, o conversível tem, claro, portas convencionais. O teto de lona se amolda à perfeição ao desenho do carro, além de subtrair apenas três litros do porta-malas.

GUIAR o SLS é uma experiência estonteante. O roadster tem capô longo e traseira curta. Sua largura exige atenção em estradas e ruas estreitas da Costa Azul francesa, Mônaco e pequenas cidades italianas na região. Motor V-8 de 571 cv e excitantes 66,3 kgf•m são exploráveis em todas as situações. Mesmo que por apenas alguns segundos.

EXISTEM quatro opções de controle das suspensões no SLS, combinadas a respostas de direção, acelerador e troca de marchas na caixa automatizada de sete velocidades formando um transeixo traseiro. O conversível é cerca de 10% mais caro que o cupê e terá 30% do mix de vendas (no Brasil, bem menos). A fábrica produz cerca de 1.200 unidades/ano.


-----------------------------------------------------------------------------------------------
15/09/2011  -   
BANDEIRA VERMELHA



Por Fernando Calmon
fernando@calmon.jor.br
Twitter: @fernandocalmon




No recente Fórum da Indústria Automobilística, organizado pela Automotive Business, o presidente da Fenabrave, Sérgio Reze, foi enfático ao tomar uma posição em relação ao papel do automóvel nas cidades. Carros são sempre considerados vilões. Não param de engarrafar as ruas e avenidas, causam acidentes, poluem o meio ambiente, ocupam todos os espaços das cidades, enfeiam a paisagem urbana ao originar vias elevadas, pontes e viadutos, atrapalham a circulação do transporte coletivo, queimam combustível fóssil (gasolina, diesel e gás) e assim aquecem a atmosfera do planeta, aumentam o nível de ruído, estimulam a individualidade das pessoas, aumentam os custos da saúde pública e diminuem a expectativa de vida da população.

Reze destacou na sua palestra o outro lado da questão. As cidades podem viver sem o que arrecadam com os veículos em circulação? Na realidade, afirmou, carros são coletores móveis de impostos. “Antes de chegar às concessionárias e também depois sofrem taxações elevadas em vários níveis. E continuam recolhendo para os cofres públicos ao longo de pelo menos 20 anos. Que outro bem durável mostra esse perfil de arrecadação contínua?”

Há um termo, dentro do jargão econômico, para explicar essa situação: cash cow, em tradução livre, vaca leiteira, no caso de dinheiro. Especialmente os automóveis não param de jorrar recursos financeiros para alimentar toda uma infraestrutura que, obviamente, deveria significar investimentos pesados em metrô, trem, ônibus e ampliação viária.

No afã de imputar mais problemas, reportagens na televisão chegam a desprezar a matemática. Em noticiário sobre o “mau uso” do automóvel, a repórter destacou que em São Paulo apenas uma pessoa “em média” ocupa um carro. Trata-se de uma observação interessante pois, para contrabalançar automóveis que transportam mais de uma pessoa, haveria outros que seriam dirigidos por fantasmas para atingir a média citada. Na realidade, não apenas em São Paulo, mas em todas as grandes cidades do mundo, a média fica entre 1,2 e 1,5 ocupante por veículo.

Também nas informações radiofônicas se costuma explicar que os longos congestionamentos ocorrem por excesso de carros. Talvez se repita o dilema entre copo meio cheio e meio vazio, porém será que a falta de ruas, pela inépcia de planejamento dos governos, não seria uma boa explicação?

Em São Paulo os limites de velocidades, já entre os mais baixos do país, estão sendo diminuídos em grandes corredores de tráfego para 60 km/h. Certamente um atalho para aumentar congestionamentos, porém certos especialistas alegam que o fluxo não seria prejudicado porque, quando a velocidade cai, os carros rodam mais próximos uns dos outros. Esquecem um pormenor: freios são bem mais eficientes do que no passado. Não há a menor necessidade de corte de 10 km/h ou 20 km/h no limite seguro de velocidade previsto no projeto de uma avenida multifaixas. Fora dos horários de pico os tempos de deslocamentos aumentarão à toa.

Quem sabe, retrocederíamos ao final do século 19, na Inglaterra, quando um homem a pé com uma bandeira vermelha precedia, obrigatoriamente, as perigosas carruagens sem cavalos... A alforria chegou em 1896.

RODA VIVA

FOI o melhor agosto da história: venderam-se 327,4 mil unidades de veículos leves e pesados. Na média diária, no entanto, houve uma pequena queda de 2,4% em relação a julho, compensada pelo maior número de dias úteis. As previsões da indústria continuam apontando o segundo semestre sem crescimento, porém 2011 deve superar 2010 em 5%.

DISCURSO da Anfavea é bem diferente da Fenabrave sobre resultados do mês passado. Enquanto esta apontou aumento de estoques nas concessionárias, aquela registrou um dia a menos (23 contra 24, em julho). Fabricantes admitem que em seus pátios os estoques subiram de 12 para 14 dias por desajustes no planejamento de produção. No total, 35 contra 36 dias.

CHEVROLET Cruze estará à venda nos próximos dias com novo motor 1,8/16 v/144 cv, mais potente e econômico do que o anterior de 2 litros. Fabricado em São Caetano (SP), GM ainda calcula se vale a pena enviar o modelo para a Argentina a partir daqui. Hoje, o carro segue para lá vindo da Coreia do Sul e paga 35% de imposto de importação. Mazelas do Custo Brasil...

CONJUNTO do JAC J6 (R$ 59.800,00/7 lugares) agrada pelo estilo, praticidade e dotação de itens de série. Desde que não esteja com carga total, desempenho é bom, suspensões com equilíbrio conforto/estabilidade (embora ruidosa) e porta-malas de volume razoável (720 a 198 litros). Ressalvas no acabamento: antena no para-brisa e fragilidade de algumas peças plásticas.

SEGUNDO a empresa de segurança McAfee, estamos sujeitos a ameaças “cibercriminosas”, dependendo dos equipamentos a bordo: destravamento e partida remotos do automóvel por meio de telefone celular; desativação remota do veículo; rastreamento de atividades e rotinas do motorista; interrupção de sistemas de navegação.


----------------------------------------------------------------------------------------

08/09/2011  -   
TEM DE SAIR DO PAPEL



Por Fernando Calmon
fernando@calmon.jor.br
Twitter: @fernandocalmon



O governo, por meio do Ministério das Cidades, pretende vencer o imobilismo e, de fato, integrar o Brasil nos esforços liderados pela Organização das Nações Unidas (ONU) que institui o período de 2011 a 2020 como a Década de Ações para Segurança Viária. A recomendação é para todos os 192 países-membros. Em seminário recente da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), o plano foi apresentado com o habitual detalhamento excessivo, incluindo um comitê com 20 entidades, além de outras 32 convidadas.

Nada contra abrir o debate à sociedade, mas com tal leque de abrangência há grande risco de se perder o foco e muito pouco ser efetivamente implantado. A ideia do Observatório Nacional de Trânsito é boa. O problema, como sempre, está em passar do mero diagnóstico às medidas efetivas. Exemplo: mais uma vez vai se tentar implantar a educação para o trânsito nas escolas, a melhor maneira de criar uma geração consciente dos riscos envolvidos.

Também é bom ter metas. Na proposta pretende-se implantar a vital Inspeção Técnica Veicular (ITV) até 2013, vistoriar 100% dos veículos até 2016, iniciar um programa de renovação da frota de 2014 a 2020 e até criar um instituto de pesquisa sobre segurança veicular. Pelo histórico dessa verdadeira novela trata-se de um plano ambicioso. Se metade for cumprido, estaremos frente quase a um milagre.

No entanto, iniciar o processo de ITV – importante para diminuição dos acidentes, congestionamentos e poluição do ar – sem uma devida regulamentação de desmontagem e reciclagem dos veículos torna-se apenas meia solução. Essa é outra discussão que se arrasta há anos. Enquanto no Japão e nos EUA existem leis para reutilização e reciclagem de autopeças e, na Europa, os próprios fabricantes de veículos são responsáveis ao final de vida dos seus produtos, aqui até hoje falta uma lei específica para o setor automobilístico, bem mais complexo do que resíduos sólidos convencionais.

No seminário, a empresa Chris demonstrou como é possível ganhar até uma estrela nos testes de colisão contra barreira, apenas com a adoção de pretensionador e limitador de carga nos cintos de segurança. Dispensa mudança estrutural no veiculo, utiliza o mesmo módulo de controle do airbag (aumentando claramente sua eficiência) e tem custo baixo. Pretensionador, por falha da legislação, ainda não é exigido, porém deveria sê-lo.

A apresentação da ONG Criança Segura listou algus dos desafios a vencer: dispositivos de retenção adaptáveis para cintos de dois pontos, utilizados em boa parte da frota, mais antiga; sistema isofix (prático e caro); cintos de três pontos na posição central do banco traseiro, localização de maior segurança para banco infantil e assento de elevação; além de regulamentação do transporte escolar e em táxis.

O Plano Nacional de Redução de Acidentes e Segurança Viária 2011-2020 está previsto de ser apresentado na Semana Nacional do Trânsito, ainda em setembro. Se vai extensamente sair do papel, ninguém pode assegurar. Pior seria deixar tudo como está com ações descoordenadas, entraves políticos e pouca vontade de atacar os problemas.

RODA VIVA

MÊS passado foi o melhor agosto da história com 313.000 veículos vendidos, segundo a Fenabrave. Apesar de apontar aumento nos estoques nas concessionárias, manteve a previsão de crescimento de 6,4% ao final de 2011. Estatística da entidade mostra que, excluindo Mercosul e México com os quais o Brasil tem acordo comercial, os maiores volumes de importação são da Coreia do Sul e China.

AUDI A1, modelo de entrada da marca alemã, mantém a tradição de bom acabamento, estilo marcante e alto nível de equipamentos. O hatch de duas portas impressiona pelo motor de 122 cv, brilhante desde baixas rotações, e ainda pelo câmbio robotizado de sete marchas, de dupla embreagem. Direção responde de forma direta e precisa. Espaço atrás, limitado.

STATION pode seguir a moda aventureira sem exagerar. É o caso da VW Space Cross (R$ 57.990,00) que dispensou o estepe na tampa do porta-malas e apliques de plástico em demasia ou rebuscados. Suspensão elevada em cerca de 3 cm não compromete a dirigibilidade graças a pneus e bitolas mais largos. Motor de 1,6 litro/104 cv é inferior ao de concorrentes diretos.

CONFORME antecipado pela coluna, a Kia completará sua linha com o compacto Rio. No entanto, o lançamento foi adiado para 2012. O modelo dispõe de motor de 1,4 litro e o Grupo Gandini, representante da marca sul-coreana, preferiu esperar até a versão flex ficar pronta. Será a terceira oferta, depois dos motores de 1 litro e 1,6 litro já desenvolvidos.

MINISTÉRIO da Cultura aprovou projeto de um livro sobre os modelos fora de série já construídos no Brasil. Editado pela Alaúde, terá 260 páginas e envolveu quatro anos de pesquisas do engenheiro José Fonseca e do jornalista Fabiano de Souza. Objetivo é registrar a memória do estilo brasileiro com fotos, ilustrações e dados históricos.

-----------------------------------------------------------------------------


01/09/2011  -   
AGORA SÃO OUTROS 500





Por Fernando Calmon
fernando@calmon.jor.br
Twitter: @fernandocalmon


Poucos carros na história da Fiat foram capazes de virar o jogo de forma tão cabal como o 500 ou Cinquecento, como se diz em italiano. Aconteceu em 1957 e se repetiu exatos 50 anos depois, em julho de 2007. O novo 500, releitura modernizada do minicarro original, vendeu o dobro da previsão mais otimista da sede da companhia em Turim. Superou as 700.000 unidades acumuladas, basicamente na Europa, ao atender os desejos da afluente classe média e se tornar o terceiro ou quarto carro da classe alta por suas dimensões ideais para o trânsito e estacionamento urbanos.

Preço elevado não é problema na Europa rica. Tornou-se o primeiro subcompacto a oferecer sete airbags de série (incluindo para joelho do motorista) e uma lista de equipamentos de série inigualável nesse segmento. No Brasil, ao contrário, trata-se de uma grande limitação. Por isso era previsível que, ao preço de lançamento de R$ 63.000, as vendas decepcionassem: apenas 100 unidades/mês, em média.

A opção equivocada de lançar o 500 no País se tomou antes da Fiat decidir assumir a Chrysler e produzir o carrinho no México para atender as Américas do Norte e Latina. De cara, sem imposto de importação de 35%, o preço poderia se reduzir em torno de 25%. Mas os italianos gastaram muito para acomodar o modelo às regras americanas de segurança passiva, fabricar o motor Multiair nos EUA e adaptar a fábrica de Toluca. Quase tanto quanto um carro novo.

O 500 ressurge ao preço razoável de R$ 40.000 (versão Cult) e algumas modificações para o mercado brasileiro, a começar pela motorização flex (mesma do Uno 1,4 l, 85/88 cv). Também perdeu cinco airbags e uma marcha no câmbio manual (agora, cinco), porém ganhou bancos dianteiros mais confortáveis, ar-condicionado de maior vazão, quatro refletores nos para-lamas (obrigatórios nos EUA) e cinco litros extras no tanque.

Na primeira avaliação do Cult, com muito calor em Miami, é nítida a diferença de desempenho: 25 cv a menos (gasolina), inferior até ao Uno 2-portas de mesmo motor, que pesa 136 kg menos. Câmbio automatizado Dualogic (R$ 3.000) vem da Itália e mostra pequena evolução nas trocas de marchas.

A novidade é o câmbio automático, da japonesa Aisin, seis marchas (R$ 4.000,00 extras), da versão Sport Air (R$ 48.800, manual), acoplado ao tecnológico motor Multiair, 1.4 l/105 cv. Essa unidade motriz traz gerenciamento eletro-hidráulico de válvulas de admissão, ganhando 5 cv de potência, mesmo com uma árvore de comando a menos. Coloca-se muito bem em termos de desempenho e na faixa baixa dos R$ 50.000 por incluir uma invejável lista de equipamentos de série e um bom conjunto de áudio Bose.

Não deve ser difícil a Fiat comercializar, inicialmente, umas 1.000 unidades/mês – 10 vezes mais que antes – porque toda a sua rede, superior a 500 lojas, passa a vendê-lo, ajudada por uma forte e criativa campanha publicitária e preço ajustado. No entanto, a sustentação ainda se considera uma incógnita. O 500 está na mesma faixa de preço do Punto e do novo Palio, que chega ainda este ano. Exige atenção redobrada, pois a dispersão dos vendedores nas concessionárias, ao explicar a proposta de subcompacto chic, pode enfraquecer esse relançamento.

RODA VIVA

MOMENTO é mesmo dos minicarros. Além do novo VW Up!, uma das atrações do Salão de Frankfurt em meados de setembro, Fiat vai contra-atacar exibindo também o novo Panda. Há anos este é o mais vendido do segmento específico, na Europa. Semelhança de linhas ao Uno brasileiro é grande. Todavia, o modelo italiano sofreu um atraso superior a 18 meses.

COINCIDENTEMENTE, a Kia apresentou o novo Picanto com motor flex no mesmo dia que o Fiat 500. Os preços são próximos – de R$ 35.000 a R$ 45.000 – embora o subcompacto sul-coreano ofereça cinco lugares/quatro portas e o italiano, quatro/duas. Picanto evoluiu em estilo, é muito bem equipado, mas não oferece tantos mimos de série, nem o charme do 500.

ESSE minicarro da Kia também surpreendeu ao oferecer motor 3-cilindros/1 litro (só o Smart, hoje, tem 3 cilindros no nosso mercado). Engenheiros orientais ousaram na alta taxa de compressão (12,5:1), ao contrário de certos flex capengas daqui. E foram recompensados: 77/80 cv de potência, até 10,2 kgf•m de torque. Lá fora, só a gasolina, motor empaca nos 70 cv, bom cala a boca...

AINDA falta o fluxo ideal, porém tudo indica que a escassez de peças em razão dos desastres naturais no Japão, em março passado, começa a se solucionar. Mais atingida, a Honda previa atrasar o novo Civic para 2012. No entanto, as boas notícias devem fazer a fábrica de Sumaré (SP) preparar o lançamento ainda este ano, provavelmente em dezembro.

ESTUDO do Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária) demonstra que vibrações de origem própria e da pavimentação, a que estão sujeitos todos os veículos, podem afetar componentes eletrônicos. Trata-se de lembrete a quem produz sistemas de rastreamento e bloqueio. Microfissuras podem gerar mau funcionamento.


--------------------------------------------------------------

25/8/2011  -   
DA VALSA AO ROCK




Por Fernando Calmon
fernando@calmon.jor.br
Twitter: @fernandocalmon



A função de jornalista especializado em automóveis pode levar a experiências insólitas, como avaliar em menos de 24 horas um modelo familiar e um superesportivo. Em 44 anos escrevendo sobre o setor nunca tinha acontecido de guiar um monovolume para sete passageiros, com todo o conforto e espaço – Chrysler Town & Country – e, quase em seguida, a série especial de um carro esporte apenas para motorista e acompanhante – Audi R8 GT – capaz de atingir 320 km/h.

O Town & Country na versão completa, importada do Canadá, custa R$ 173.900,00 É produto de nicho de mercado com uma arquitetura interna incomum: 2+2+3. A fileira intermediária tem apenas dois confortáveis bancos que podem ser rebatidos com facilidade impressionante. Até três crianças com folga ou três de adultos com menos conforto (porte em torno de 75 kg de peso) acomodam-se na última fileira. Nesta o sistema de rebatimento é elétrico, bipartido (1/3; 2/3) e forma uma superfície totalmente plana.

Apenas três unidades foram reservadas ao Brasil, da série especial de 333 exemplares do R8 GT, ao preço de R$ 1milhão cada. Esse modelo serve de demonstração de força tecnológica da marca alemã com a fórmula clássica de aumento de potência e diminuição de peso. O motor V-10 de aspiração natural passou para 560 cv, a exatas 8.000 rpm, sem ajuda de turbocompressor. Missão mais difícil foi retirar 100 kg da massa total de um modelo, como o R8, que se caracteriza pela construção em alumínio por si só bastante leve.

Entre as várias soluções criativas da Town & Country destacam-se duas: as travessas do rack de teto embutidas nas barras longitudinais (dispensa ferramentas para montagem) e o deslocamento do estepe do fundo porta-malas para o meio do chassi (sem rebater bancos comporta 900 litros).

O Audi R8 GT pesa apenas 1.525 kg, incluído o funcional e largo aerofólio traseiro em fibra de carbono. Na luta para perder peso valeu até a pintura sem verniz para ganhar apenas dois kg (2% do total aliviado). Por compartilhar a mesma arquitetura do Lamborghini Gallardo (também do Grupo VW) o superesportivo da Audi, nessa edição especial, custa cerca de 30% menos que um Ferrari 458 Itália, por exemplo. Mas é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 3,6 s, ajudado pela tração nas quatro rodas e o sistema de controle automático em arrancadas ferozes.

O novo motor V-6 de 283 cv e câmbio automático de seis marchas formam um conjunto bastante honesto para a proposta da minivan da Chrysler. O acabamento ficou melhor e o painel mais moderno. O pomo da alavanca de câmbio tem dimensões exageradas.

A experiência com o R8 GT incluiu um desafio aos jornalistas, na pista de 5.000 m de comprimento da fábrica de aviões da Embraer, em Gavião Peixoto (SP). Teste de aceleração máxima, apenas em um sentido, por cerca de 4.000 m. A pista com quase 100 m de largura parece estreitar, quando se passa de 300 km/h, mas é fácil dominar o carro. Devem-se passar as marchas no limite correto e tentar dirigir absolutamente em linha reta. Fiquei nos 318,8 km/h, porém o colega Eugênio Brito foi a 324,5 km/h, na mesma tarde. Na parte da manhã, Tarcísio Dias atingiu 326,5 km/h. O mesmo carro passou 50 vezes por esse teste.

RODA VIVA

VOLKSWAGEN Up! estreia no Salão de Frankfurt, em 13 de setembro próximo, e há grande expectativa sobre o seu preço. Trata-se de um subcompacto (3,54 m de comprimento) de nova geração, com alta flexibilidade para derivações, inclusive uma para o Brasil, até 2013. Fala-se em 9.500 euros (cerca de R$ 22.000), na Alemanha, preço bastante competitivo.

MATRIZ energética brasileira é um destaque no panorama mundial por possuir grande parcela renovável. Derivados de petróleo ainda dominam com 38%. Contudo, a segunda fonte, surpreendentemente, é a cana-de-açúcar (18%), somados o etanol e a cogeração de energia elétrica. Hidroelétricas respondem por 15%. Fonte: British Petroleum, estudo de 2009.

MÉTODO de gestão Toyota, com seu modo de produção enxuta e de melhoria contínua aplicável em muitos setores, tem especialistas de renome fora do Japão. Um deles, Jeffrey Liker, fará palestras nos dias 13 e 14 de setembro, em São Paulo. O americano já escreveu três livros sobre o tema, de grande repercussão no mundo administrativo e de negócios.

EXPEDIÇÃO da Palio Weekend elétrica, comandada por Paulo Rollo, saiu de Los Angeles e já circula no Brasil, nas etapas finais. Os extremos em termos de autonomia – 58 km e 143 km – aconteceram na subida e descida de serra, de trecho na Colômbia. Subindo as baterias sofrem e descendo os freios regenerativos ajudam na recarga.


----------------------------------------------------------------------------------------------

18/8/2011   
ATENÇÃO AOS JUROS




Por Fernando Calmon
fernando@calmon.jor.br
Twitter: @fernandocalmon



O mercado automobilístico, em agosto, tem resistido bem em termos de vendas, sem grandes quedas no ritmo diário de comercialização. Ao contrário do adágio popular, tudo indica, agosto não será mês de desgosto. Isso apesar das preocupações com a situação econômica mundial, noticiário pessimista sobre finanças de países maduros, quedas espetaculares nas bolsas de valores e a crise político-moral entre o governo e o Congresso Nacional.

Com tantos fatos perturbadores, manter a média em torno de 15.000 unidades/dia licenciadas pode ser até motivo de comemoração, sinal de amadurecimento dos compradores. Nem mesmo a atabalhoada comunicação, por parte do governo federal, sobre redução de IPI na longa cadeia de produção, levou recuo importante à demanda. Na realidade, não se sabe, ainda, como será implementada essa política de estímulo à inovação e competitividade industrial, com efeito apenas em médio e longo prazo.

Preços devem permanecer estáveis ou em queda natural em razão da forte concorrência e pressionados pelo aumento de estoques. Estes estão, de fato, elevados porque o segundo semestre aponta uma acomodação: crescimento zero em relação ao mesmo período de 2010. Vendas totais em 2011 devem fechar com avanço de 5%, sendo 10% no primeiro semestre. O índice de confiança, referência de peso, se mantém em bom nível. Pode melhorar se o juro básico (taxa Selic) permanecer inalterado nos próximos meses, como previsto.

O financiamento via CDC (Crédito Direto ao Consumidor) avançou bastante sobre o leasing. Esta modalidade, isenta de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e, portanto, com prestação um pouco menor, está minguando em função de pequenos conflitos criados por alguns que se acham espertos, contestando obrigações contratuais. Também existe bitributação por parte de prefeituras.

Quanto ao CDC é preciso pesquisar os juros. “Exemplo de um carro de R$ 35.000, com entrada de R$ 10.000. O financiamento de R$ 25.000 em 60 meses, juro de 1,5% ao mês, sairá por R$ 38.090 (preço total R$ 48.090). Mas se a taxa de juro for de 2,2%, essa pequena diferença de 0,7% ao mês elevará a parte financiada para R$ 45.266,00 (preço total R$ 55.266)”, explica Marcelo Maron, consultor em Finanças Pessoais. Também sugere atenção aos penduricalhos como taxas cartoriais e de cadastro. Comparar o valor da prestação para o mesmo prazo e igual valor financiado, já com encargos e juros, evita surpresas.

A terceira opção de financiamento é o consórcio, especialmente para aqueles de pouca disciplina financeira. Quem não tem pressa, pode fazer poupança mensal e comprar o carro mais rapidamente, sem depender da sorte. As estatísticas do setor são pouco precisas porque o Banco Central não controla se a carta de crédito contemplada, por sorteio ou lance, vai para a compra de um veículo novo ou usado.

A estimativa é que esse meio responda por 6% das vendas da indústria (45% a 50%, CDC; 9%, leasing; 35% a 40%, à vista). Mas o valor da cota média reflete bem o aumento do poder aquisitivo. Comparando-se junho deste ano com a média de 2009 o valor cresceu cerca de 20%, atingindo R$ 40.169, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio.

RODA VIVA

ANTECIPANDO-SE ao novo regime automobilístico que o governo anunciará em breve, mais um grupo brasileiro – CN Auto – e uma marca chinesa – Brilliance – estudam montar fábrica no Brasil. Trata-se de investimentos de longo prazo, que se beneficiarão de produção local incentivada, hoje pouco competitiva. Além de evitar a incidência de 35% de imposto de importação.

BOA parte por razões cambiais, a África do Sul tornou-se o segundo maior mercado de exportação para os veículos brasileiros no ano passado. Moeda local, o rand, também se apreciou, como o real, frente ao dólar. México agora é o terceiro cliente do Brasil (primeiro, Argentina). Sua moeda desvalorizada dificulta importações e facilita exportações.

INTERIOR mais caprichado, plásticos de toque suave e um trabalho aprimorado nas suspensões dão ao crossover Fiat Freemont, quase gêmeo do Dodge Journey, mais condições de competir. Motor 4-cilindros/2,4 litros/172 cv levou a um preço menor – R$ 81.900, cinco lugares; R$ 86.000, sete lugares –, mas a queda no desempenho em relação ao V-6 é bem sensível.

ATÉ novembro, o Journey 2012 estará à venda. Receberá as mesmas modificações, porém comercializado apenas com o motor mais potente e adequado, na faixa de R$ 100.000 a R$ 107.000. Capô de alumínio será o mesmo do Freemont. Alteração feita atende leis de segurança europeias que exigem grau de proteção maior em caso de atropelamento.

PETROBRAS Biocombustível abriu os cofres para investir em etanol por meio de compra, associação e ampliação de usinas. Serão R$ 3,5 bilhões para atingir a produção de 5,6 bilhões de litros do combustível renovável até 2015. Objetivo é alcançar a liderança com 12% do mercado brasileiro, incluindo etanol celulósico de cana (segunda geração).



----------------------------------------------------------------------------------------

11/8/2011
SEGUIR AS BOAS IDÉIAS




Por Fernando Calmon
fernando@calmon.jor.br
Twitter: @fernandocalmon

Há pouco mais de 25 anos o Brasil teve um programa de economia de combustível muito interessante. A Secretaria de Tecnologia Industrial, vinculada ao então Ministério da Indústria e Comércio, propôs uma espécie de pacto para que todos os fabricantes aqui instalados, em meados dos anos 1980, melhorassem a eficiência dos motores e, por consequência, o consumo de etanol e de gasolina.

Batizado singelamente de Peco – Programa de Economia de Combustíveis –, alcançou sucesso nos três anos em que vigorou. Os quatro fabricantes da época – Fiat, Ford, GM e Volkswagen – cumpriram as metas de redução de 5% do consumo. A cartilha Escolha Certo listava todos os modelos à venda e as metas, ano a ano. Numa época em que ainda não existia o Código de Defesa do Consumidor, criado em 11 de setembro de 1990, foi uma iniciativa importante em favor dos proprietários de automóveis.

O Peco se inspirou em programa semelhante iniciado nos EUA, em 1973, gerado pelo primeiro choque dos preços de petróleo. Lá se criou a CAFE, sigla em inglês para Média Corporativa de Consumo de Combustível, em tradução adaptada. Fabricantes deviam cumprir metas de redução de consumo para a média de todos os modelos à venda.

Os EUA sempre usaram combustíveis com incidência muito baixa de imposto, ao contrário da Europa, Japão e outros países dependentes de petróleo importado. Agora, quer diminuir drasticamente a sua vulnerabilidade. Além disso, o único modo de combater a emissão de gás carbônico (CO2), principal vilão do efeito estufa e de aquecimento do planeta, é diminuir o consumo de combustíveis fósseis (gasolina e diesel). Assim, ao mesmo tempo, atende as preocupações ambientais.

Uma estratégia seria aumentar o imposto sobre os combustíveis. Outra, a escolhida, impor metas de eficiência aos veículos. A CAFE atual já exige aumento da autonomia de 11,5 km/l para 15 km/l, até 2016. O governo acaba de aprovar uma meta bastante ousada. De 2017 até 2025, a média dos automóveis terá que melhorar para nada menos que 23 km/l. Trata-se de uma revolução nos padrões americanos: ganho de 5% ao ano. Por pressão das marcas de Detroit, picapes e utilitários foram aquinhoados com metas menores.

Outros fabricantes e importadores acabaram concordando. Volkswagen/Audi e Mercedes-Benz protestaram por aliviar os modelos mais pesados e gastadores, além de desestimular motores a diesel. Esqueceram que estes são caros e só se viabilizam com preços elevados de combustíveis, execrados pelos clientes. A BMW, ao contrário, apoiou a decisão.

O governo calcula que cada veículo acumulará, em média, US$ 8 mil (R$ 13 mil) de economia com combustível até 2025. Porém, reconhece que os automóveis podem encarecer mais do que esse valor e aceitou reavaliar. Em 2018, analisará os impactos nos custos de produção e nas vendas (os carros deverão ficar menores), além das dificuldades tecnológicas e até de segurança passiva.

É chegado o momento também de ressuscitar o Peco brasileiro, em benefício do consumidor. O programa, com metas menos radicais e compensações fiscais já previstas, poderia melhorar a eficiência dos motores e dos veículos em prazos negociados e passíveis de revisão.

RODA VIVA

RITMO das vendas caiu em julho. No final do primeiro semestre, a expansão era de 10% em relação a 2010. Já nos primeiros sete meses, havia se reduzido para 8,6%. Resultado se alinha às previsões da Anfavea, de aumento de 5% sobre o resultado do ano passado. Estoques continuaram a subir: de 33 dias em junho, para 36 dias, em julho, 20% acima do ideal.

GOVERNO Federal anunciou novo regime automobilístico para estimular produção nacional, eficiência e inovação. Na verdade, não definiu o que entende por inovação, deixando mais dúvidas do que certezas no ar. Valerá por um prazo de cinco anos e trará incentivos fiscais dentro da longa cadeia produtiva do setor. Objetivo: controlar custos e recuperar capacidade exportadora.

FORD oferece, desde maio, o Fusion mexicano com tração apenas dianteira por R$ 94.360,00 ou R$ 9.000,00 abaixo da versão 4x4. O médio-grande ficou mais leve e o motor V6/243 cv proporciona boa agilidade. Mas sem a emoção de um turbo moderno, como o Ecoboost de até 340 cv. Sistema de comunicação Sync é ponto alto. Falta memória de ajuste do banco elétrico do motorista.

PREÇO convidativo – R$ 58.800 (versão de cinco lugares) e R$ 1.000 a mais, sete lugares – deixa o JAC J6 muito bem posicionado dentro da limitada oferta de monovolumes médios. Estilo, espaço interno, visibilidade e acabamento razoável (acima da média para modelos chineses nessa faixa de preço) destacam-se. Deve um motor algo mais potente. Suspensão, um pouco ruidosa.

CONGRESSO Fenabrave (23 a 25/11), em sua 21ª edição, recepcionará outro alto executivo para a palestra magna, em São Paulo. No ano passado, Sergio Marchionne, da Fiat-Chrysler e este ano, Philippe Varin, principal executivo mundial do Grupo PSA Peugeot Citroën.





---------------------------------------------------------------------------------------------------
04/8/2011
ABRINDO OS BOLSOS

Por Fernando Calmon
fernando@calmon.jor.br
Twitter: @fernandocalmon



O anúncio de mais uma fábrica no Brasil – dessa vez da chinesa JAC – é um demonstração do vigor do mercado brasileiro. Afinal, vendas que dobram de volume em apenas cinco anos (subiram de 1,5 milhão de unidades, em 2004, para 3,1 milhões, em 2009; 3,7 milhões, em 2011) só podem atrair muitos interessados. E que vão abrir os bolsos.

Nos últimos seis meses, pelo menos dez projetos foram comunicados, alguns confirmados, outros em fase de estudos em diferentes estágios. O número inclui novos fabricantes ou expansão dos aqui já instalados, sem contar caminhões e ônibus, plantas novas em construção (Hyundai e Toyota) ou ampliações previstas pela Ford, GM, Mitsubishi e Volkswagen. Só chinesas são três: além da JAC e da Chery, a Lifan terá uma pequena operação, essa última semelhante à da japonesa Suzuki. Fiat e Nissan anunciaram investimentos pesados em novas instalações. Renault e PSA Peugeot Citroën planejam.

O grupo brasileiro EBX estuda entrar no mercado. A BMW, ao estilo germânico, só anunciará oficialmente sua fábrica quando definir cidade, modelo e investimento, em outubro ou novembro próximos. Mas a coluna antecipou, com exclusividade, que a decisão positiva foi tomada, na Alemanha, em segredo.

Até o final de 2014, com a maturação da maioria desses projetos, o Brasil estará comprando cerca de 4,5 milhões de veículos por ano e ainda crescerá para 6 milhões de unidades/ano, no final da década. Se os custos de produção no País, em dólares, hoje, são 60% maiores do que na China e 33% superiores ao México, como se explica essa atratividade? Primeiramente, as cotações de câmbio não devem ficar para sempre nesse patamar: moedas valorizam e desvalorizam. A razão principal é que o País vai reagir a esses custos altos. Basta ver o novo plano de competitividade industrial que o governo patrocina, com desoneração de impostos e criação de um regime especial para o setor automobilístico.

Sérgio Habib, presidente do grupo SHC, importador e sócio majoritário da JAC na futura fábrica nacional, explica: “Frete interoceânico, taxas nos portos e o imposto de importação têm peso elevado para quem vai vender, como nós, 100.000 carros por ano em 2013. Volume inviável para trazer da China.” O investimento de R$ 900 milhões, em local indefinido em parque industrial já existente, inclui centro de desenvolvimento e pista de testes. Índice de nacionalização mínimo de 60% permitirá exportação, sem imposto, dentro dos acordos do Mercosul e México. Não prevê produção de motores, embora vá oferecer versão flex em 2012.

Interessante é que se trata de um projeto sino-brasileiro. Como partirá do zero, porém baseado na arquitetura do J3, levará em conta as necessidades e gostos do comprador daqui, sem desconsiderar a fácil adaptação às demandas chinesas. Terá também versões mais enxutas, mantendo-se na faixa de R$ 30.000,00 a R$ 40.000,00 (a preços atuais). Formará uma família que incluirá hatch, sedã e, provavelmente, um utilitário esporte.

O atual J3 terá cumprido seu ciclo de vida em 2014 e o pragmatismo típico de Habib indica sua substituição pelo novo carro. Ele sempre se mostrou contrário à convivência de duas gerações de um mesmo modelo.

RODA VIVA

PARECE que os chineses não se contentarão com apenas três fábricas aqui. Há rumores sobre uma quarta marca se movimentando. Decisões desse naipe são sempre de longo prazo. Consideram que pode haver mudanças na China em termos de moeda artificialmente fraca, salários em alta, incômoda dependência de matérias primas e até regime político.

MERCADO que mais cresceu no mundo (50%), este ano, para a marca inglesa MINI, controlada pela BMW, foi o brasileiro. Dos 16 modelos da linha, 11 estão à venda aqui. Do estreante JCW conversível (R$ 150.000) à recente versão de entrada One (R$ 70.000 com câmbio manual) consegue ocupar vários nichos. Modelo se destaca pelo estilo e dirigibilidade.

RENOVAÇÃO discreta na parte frontal e interior com novos revestimentos, além de itens como sistema de áudio com viva voz para celulares, continuarão a dar impulso ao Sandero 2012. Versão Expression tem boa relação preço-espaço interno (R$ 38.000). Porém, o motor 1,6 l/95 cv poderia ser mais potente e menos ruidoso, se bem isolado no cofre.

ENCERRADA a produção da versão de exportação do Fox para a Europa. Ele sofreu com a valorização do real desde 2005. Só continuou à venda por lá em razão do atraso no lançamento do Up, subcompacto que a Volkswagen apresentará em setembro, no Salão do Automóvel de Frankfurt. Vendas do novo carro começarão no início de 2012. Up também será fabricado aqui.

VENDAS de consórcio aumentaram com a ascensão de compradores das classes C e D. Esse sistema de financiamento é para quem prefere planejar a compra. As prestações não são fixas e sobem de acordo com a variação de preço do modelo escolhido. Curiosamente, não há registro estatístico se o contemplado usou seu crédito para comprar um carro novo ou usado.





----------------------------------------------------------------------------------------------------

27/07/11
PACTO QUE SE ARRASTA

Por Fernando Calmon
fernando@calmon.jor.br
Twitter: @fernandocalmon



A burocracia e a lentidão são as características de quem cuida do trânsito no Brasil. Em certas decisões o impacto direto na vida dos cidadãos motorizados passa longe de qualquer traço de respeito. Todos sabem que a indisciplina campeia entre motoristas e pedestres, mas o bom exemplo deve vir de cima. Ausência de racionalidade ou exigências estapafúrdias são o caminho certo para mais problemas do que soluções. Multas injustas, por exemplo, alimentam as críticas sobre o interesse maior em arrecadar do que melhorar a segurança.

Uma das maiores incongruências ocorreu quando o Contran regulamentou as informações que devem constar nos autos de infração, deixando omisso a obrigatoriedade de indicar modelo e cor. Marcas mais tradicionais podem ter 20 ou mais modelos entre os atuais e os que já saíram de produção. A regulamentação foi feita depois de denúncias de que multas eram aplicadas apenas com a anotação da placa e as demais características simplesmente copiadas do registro do veículo.

Em São Paulo uma decisão judicial recente, já em segunda instância, garante ao motorista acesso à cópia do auto de infração em tempo hábil para que possa fazer a sua defesa. Mas, em outras cidades em que o agente só anotou placa e marca, como fica? A ordem é receber a multa, não interessa de quem.

Esconder radares atrás de muretas, saídas de túneis, debaixo de viadutos e passarelas ainda continuam, apesar da lei proibir. Outra decisão judicial obrigou o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo a anular mais de 40 mil multas depois de uma mudança repentina de velocidade de 60 km/h para 50 km/h. Se o risco fosse mesmo real, melhor seria o totem de controle eletrônico.

A obrigatoriedade de ir ao cartório – e pagar – para o reconhecimento de firmas, tanto do proprietário como do real infrator, válida a partir de outubro próximo é outra dessas exigências descabidas. A alternativa de ir aos postos dos Detrans seria ainda mais caótica do que os cartórios. Locadoras, que respondem por cerca de 10% das vendas, veem problemas pela frente com turistas estrangeiros, sem contar empresas de transporte de carga ou que alugam veículos para seus funcionários. Sem a indicação do condutor em tempo hábil a multa dobra de valor, dando força à fúria arrecadadora.

Alfredo Peres da Silva, presidente do Contran e diretor do Denatran até dezembro passado, tentou colocar um pouco de ordem e assinou 186 resoluções em cinco anos, resolvendo falhas e omissões que se perpetuavam. Com a influência política negativa e sem autonomia de uma autarquia com recursos próprios é difícil o Denatran funcionar como órgão máximo executivo de trânsito. Isso leva a programas mal formulados, como os de controle da frota e bloqueadores remotos de veículos furtados ou roubados.

Peres tem uma preocupação maior. “O Pacto Nacional para Redução dos Acidentes faz parte de um compromisso internacional que o Brasil assumiu por uma década até 2020 e está devagar.” Para ele, é preciso acelerar as atitudes em prol da segurança do trânsito e ir além do conforto do controle eletrônico, como a unificação de fiscalização em ruas e estradas, hoje dividida e pouco ostensiva.

RODA VIVA

APENAS dois Estados – Minas Gerais e Santa Catarina – ainda mantêm o Departamento Estadual de Trânsito na órbita administrativa policial. São Paulo mudou o sistema há quatro meses e espera bem mais eficiência e respeito ao usuário. Afinal, policiamento pode e deve fiscalizar o trânsito nas ruas e estradas. Administração funciona melhor com especialistas.

RETOQUES em grade, para-choques, faróis e interior marcam o ano-modelo 2012 e meio do Polo, pois o 2012 já havia sido lançado só quatro meses atrás. Apesar de a versão de entrada subir cerca de 6% para R$ 44.390,00, na realidade, com a inclusão de itens como freios ABS e airbags, antes opcionais, o preço encolheu 3%. Segue tendência de melhor relação preço-benefício.

MOTOR de 2.0 l/211 cv chega a “sobrar” no novo Jetta TSI (R$ 89.520). Acelera mais que qualquer outro concorrente dentro do segmento de médios-compactos anabolizados, esses com maior espaço interno e recheados de equipamentos. Câmbio robotizado de duas embreagens faz o par perfeito dentro da grande evolução técnica e conceitual do modelo.

INVESTIMENTO de US$ 100 milhões da Renault, na Argentina, será suficiente apenas para leve atualização do Clio hatch. Um novo modelo exigiria montante bem superior e não chegaria ao mercado em meados de 2012. Naquele total se incluem melhorias nas instalações industriais de Córdoba e início do terceiro turno de produção.

NOVO navegador TomTom, série Via, inova ao eleger as rotas com base na velocidade real do trânsito medida pelo próprio aparelho. Propõe ao motorista o caminho mais rápido em função da hora do dia e do dia da semana. Este novo software foi desenvolvido, inicialmente, para as ruas do Rio de Janeiro e de São Paulo, cidades de trânsito mais congestionado.



----------------------------------------------------------------------------------------------------




19/07/2011
NINGUÉM PENSOU ANTES

Por Fernando Calmon
fernando@calmon.jor.br
Twitter: @fernandocalmon


Fazer uma avaliação do atual progresso técnico e projetar o futuro da mobilidade tem sido uma preocupação recorrente no mundo inteiro. Não chega a ser uma preocupação nova, especialmente na Europa, onde existe uma longa tradição de estudar e divulgar os avanços em motores, segurança passiva e ativa, controle de emissões e, mais recentemente, tráfego inteligente, automação ao dirigir e eletromobilidade.

Uma das empresas que mais utiliza esse tipo de comunicação assertiva é a Bosch. Em Boxberg, Alemanha, a empresa promoveu recentemente o sexagésimo encontro técnico internacional, realizado de dois em dois anos, com 330 jornalistas de 35 países. Embora se saiba que o futuro aponte para a tração elétrica, as dúvidas são recorrentes sobre quando realmente isso acontecerá e quanto tempo haverá de convivência com os motores a combustão a combustível líquido, seja de forma independente ou coequipando híbridos convencionais ou plugáveis em tomadas.

Segundo o maior fabricante global de autopeças, em 2020 devem-se vender no mundo 103 milhões de automóveis e comerciais leves, cerca de 50% mais sobre 2010. Apenas três milhões deles, elétricos puros ou híbridos e outros seis milhões, híbridos convencionais. Então, haveria 100 milhões de motores convencionais novos deixando as lojas. Tal volume exige enorme esforço para diminuir o consumo de combustíveis fósseis e a consequente menor emissão de gás carbônico (CO2) a fim de controlar o indesejável aquecimento da atmosfera.

A empresa afirma já existir tecnologia para motores consumirem 30% menos, mas ainda exige tempo de desenvolvimento. Um dos complicadores: encarecer os novos modelos. Uma boa comparação é a do Golf, automóvel de maior venda na Europa. Nas versões de entrada, a gasolina (TSI, de 1,2 l) ou diesel (TDI, de 1,6 l), ambos têm a mesma potência de 104 cv, com turbocompressor e injeção direta. Pelo ciclo europeu de consumo médio, menos severo que o dos EUA e do Brasil, o diesel gasta 20% menos combustível que a gasolina (25,6 km/l contra 20,4 km/l).

A complicação começa no preço do carro a diesel. Na Suíça, o TDI custa 30% mais que o TSI, o que exigiria rodar em torno de 35.000 km por ano, ou além, para amortizar a diferença, dependendo da relação de preço com a gasolina. Mesmo na Europa, com os combustíveis mais caros do mundo (cerca de R$ 3,5/litro), um motor a diesel precisa de longas distâncias para se viabilizar e as leis de emissões o tornarão ainda mais caro. Por isso, nos EUA, onde o combustível vale a metade, há rejeição econômica à opção diesel, bem como na maioria dos demais países (na Argentina, por exemplo, só 10%).

Novidade anunciada pela Bosch é a evolução do sistema start-stop (desliga-liga o motor com o carro parado). Quando pronto, permitirá desligamento automático toda vez que o motorista tirar o pé do acelerador, a menos de 120 km/h. A economia de combustível pode chegar a 25% em determinadas condições. Ninguém pensou nisso antes, desde os tempos do sistema de roda-livre, que não cortava o motor. Com a tecnologia atual religa-se em 0,35 s, mas deve incluir direção elétrica no lugar da hidráulica, tendência que avança. Além de compressor elétrico para o ar-condicionado, um pouco mais adiante.

RODA VIVA

PRIMEIRA fábrica chinesa a se instalar no Brasil, Chery assentou a pedra fundamental essa semana em terreno de Jacareí (SP).  Haverá operações de manufatura e não só de montagem, ao contrário de 12 outras unidades fora da China. Na realidade, se posiciona para aproveitar futuros incentivos do governo federal e compensar o alto custo de produzir internamente.

NOVO adiamento na implantação do Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos (Siniav). Começaria em 1º de janeiro de 2012 e completado até 30 de junho de 2014. Objetiva o controle eletrônico da frota baseado em tecnologia de identificação por radiofrequência, antenas e rede de dados. De olho em quem deve impostos, taxas e multas.

PEUGEOT 3008 tem vendido 200 unidades/mês, mas com procura maior que o esperado, segundo a marca francesa. Este monovolume com ares de crossover, ampla visibilidade, muito bem equipado e comportamento em curvas exemplar, destaca-se em especial pelo motor (projeto BMW-Peugeot) de 1,6 l/156 cv. Respostas ao acelerador são impressionantes.

NOVAS gerações de pneus básicos duram até 20% mais, permitem economizar combustível (pouco notado, mas não desprezível) e conseguem manter o mesmo preço ao consumidor final. É o caso da linha Firestone Multihawk, em sete medidas que atendem três quartos da frota brasileira de veículos leves.

CÂMBIOS robotizados ou automatizados não exigem nenhum cuidado extra em termos de troca de óleo. Na realidade, nem há previsão de qualquer intervenção desse tipo, comportando-se como todo câmbio manual que há décadas são abastecidos de óleo somente na linha de montagem. Apenas se o câmbio precisar ser aberto e reparado, aí se indica trocar o óleo.





 
MAXCARS | by TNB ©2010